Estando num país estrangeiro, é natural que tentemos fazer comparações sobre o estilo de vida dos americanos e o nosso, bem como a sua forma de estar, numa sociedade, culturalmente bem diferente da nossa.
Pareceu-me que uma das principais diferenças prende-se com a forma como os produtos e serviços são pensados para as pessoas e até como os espaço públicos são geridos. Nota-se isso, na própria cidade de Nova Iorque. Apesar de ser a metrópole que conhecemos, é uma cidade pensada e vivida para e pelas pessoas e isso reflecte-se globalmente, na forma como os mais diversos espaços são diariamente invadidos por "pessoas". Para as pessoas de Lisboa, deixo-vos uma comparação: Imaginem os centros comerciais do Saldanha à hora de almoço. Agora imaginem que é tudo um enorme jardim, ocupado por milhares de pessoas durante a hora de almoço.
É certo, que falamos num país que não tem um sistema universal e nacional de saúde, mas parece-me, à distância, ser a grande excepção...

Newark Penn Station - Estação que utilizei diariamente para ir até Nova Iorque.
Vamos pensar nos transportes, ou pelo menos, aqueles que utilizei. O comboio e o metro. Nenhum deles apresenta o nível de conforto, que encontramos em Portugal. No entanto, o Ar Condicionado (requisito mínimo, diria) está lá e apresentam sobretudo, uma estupenda qualidade de serviço ao nível da frequência e horários. É habitual, o comboio em que vamos, parar durante a viagem, porque aguarda que os comboios à frente saiam da estação, tal é a frequência destes.
Ou seja, os lugares sentados são escassos, mas isso é compensado pela rapidez e qualidade do serviço, ao nível dos horários e frequência de comboios. Afinal de contas, queremos é chegar rapidamente ao destino e não passar horas à espera, ou na estação ou no comboio.

Imagem do interior de um dos comboios da PATH.
O atendimento ao público foi outra nota positiva. Até podemos estar perante um completo fingimento, o chamado sorriso amarelo, mas na realidade a coisa resulta. Há simpatia, há um sorriso e há sobretudo qualidade no atendimento. Por vezes senti simpatia a mais, considerando os padrões a que estou habituado. Fui percebendo que afinal, era mesmo assim, em quase todas as lojas.
Foi positivo perceber, poucos dias do meu regresso, que isso é possível no nosso país. Por exemplo, na TB Store. Tive finalmente oportunidade de lá ir, fazer a minha primeira compra e senti que havia alguma atitude positiva que eu reconhecia de algum lado.
O mesmo acontece com os serviços. Penso, por exemplo, nos tarifários das operadoras de telemóveis. Sim, era aqui que eu queria chegar.
Nos EUA, lançam telemóveis optimizados para Internet, sendo que, ajustam-se os tarifários para que o tráfego de dados seja ilimitado, estimulando a utilização desses mesmos telemóveis. Isto resultará naturalmente num boost nas vendas e fidelização do cliente, uma vez que, nestes casos, aposta-se nos contratos de 18 meses ou 24 meses. Isto é, as partes ficam satisfeitas. A operadora vende o serviço e o telemóvel (e com retorno) e o cliente vê as suas necessidades satisfeitas.
Em Portugal, as operadoras esquecem que o cliente é uma parte fundamental do seu negócio. Vamos pensar nos tarifários do iPhone. Acham que 250MB de tráfego é suficiente para um dispositivo como o iPhone?
Obviamente que não é suficiente e isto cria várias situações. Fraca adesão ao produto. O produto tem um valor elevado de comercialização, mas os tarifários não compensam esse factor. Quem acaba por comprar, como eu, evita ao máximo a utilização do 3G, para que os limites não sejam ultrapassados, provocando uma inibição da utilização do serviço. Ainda assim, no meu caso, tento aproveitar ao máximo, com a minha ligação Wifi em casa, abdicando o mais possível do 3G.
Às vezes, penso que nestas empresas, quem tem poder decisão, nem sequer sabe o que são 250MB. Provavelmente, achou que os 250MB seria um incremento fantástico para o iPhone, face aos 100MB, antiga referência para muitos preçários de Internet Móvel.
Ou seja, a operadora tenta obter o lucro mais elevado que conseguir, ignorando completamente, uma das funcionalidades mais importantes do produto e uma das necessidades do cliente. Esta postura, pode não criar um prejuízo à operadora, mas seguramente hipotecará os fabulosos lucros que pretendia obter.
Impressionante é perceber que a concorrência, em vez de apresentar verdadeiras alternativas, infelizmente, segue o "adversário", dando a ideia que estamos perante uma espécie de cartel. De resto, conseguimos fazer um paralelo com as gasolineiras. Voltando ao exemplo americano, é relativamente fácil ver postos de abastecimento muito próximos entre si, mas com diferenças que às vezes se aproximam dos 10 cêntimos, criando um verdadeiro mercado concorrencial.
Enfim, são formas de estar completamente diferentes...e nós é que pagamos!
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