
Acerca do Magalhães, já referi anteriormente, no Triplo Expresso, que o timing político não é de todo inocente e mesmo a aposta na tecnologia (de mãos dadas com a Educação), parece ter sido o caminho mais simples de Sócrates, para conseguir uma nova eleição no próximo ano.
Não sejamos hipócritas. Qualquer partido no poder, estando na posição de Sócrates, provavelmente faria a mesma coisa, tomaria as mesmas decisões e nesta questão estou à vontade para falar porque voto em branco, mas parece-me que a re-eleição está cada vez mais garantida, mas isso são contas de outro rosário.
De uma coisa, Sócrates não poderá ser acusado. De não ter feito ou de não ter tentado fazer. Podemos dizer que o processo e-Escola não é perfeito, mas existe. Provavelmente, também interessa muito pouco se o Magalhães é 30% ou 100% português. Alguém já perguntou a percentagem "nacional" do Scirocco da Volkswagen, que é construído na Auto-Europa de Palmela?
Neste caso, a montagem do Magalhães, está a cargo da J.P. Sá Couto, empresa sediada em Matosinhos (curiosamente, local onde estarei no próximo Sábado). Já pensaram nos postos de trabalho que este "pequeno" Magalhães consegue garantir? Já para não falar do súbito envolvimento de Portugal no universo dos Netbooks e programas de introdução de computadores nas camadas jovens sem acesso facilitado à tecnologia. Afinal, este acordo entre o Governo, Intel e Microsoft (não podemos esquecer a importante inclusão do Caixa Mágica - Linux), trouxe o nome de Portugal para os principais sites de tecnologia (exemplos: Engadget | Gizmodo), como eu nunca tinha visto. Sem dúvida, que Portugal, com o sucesso destes projectos tornou-se num parceiro extremamente apelativo.
Finalmente, importa não esquecer os destinatários dos portáteis. As crianças e adolescentes (não me esqueci dos professores, mas prefiro destacar os jovens), que passaram a ter acesso facilitado a um computador e já agora a Internet Banda Larga. Mais uma vez, podemos discutir os timings, as condições, as garantias, a segurança, o controlo parental (já lá vamos), mas a realidade mostra que o projecto é um sucesso e começam a surgir replicações do projecto noutros países, como é o caso da Venezuela.

Acredito sinceramente que o esforço que está a ser feito hoje, dará frutos a médio/longo prazo. Eu preferia que estes projectos estivessem integrados numa política global de educação. Não consigo compreender porque razão não se resolve a questão dos manuais (em termos de preços ou um projecto de re-utilização de manuais), não consigo perceber a confusão anual da colocação dos professores, não consigo perceber o facilitismo criado de ano para ano na avaliação, para que a taxa de sucesso aumente...enfim, uma enorme confusão que o Magalhães não conseguirá apagar ou esconder.
Insisto que apesar de tudo, os projectos e-Escola darão frutos no futuro, apesar o enquadramento geral, não ser o ideal.
Deixei para o final, a questão a cobertura jornalística do Magalhães (e da tecnologia em geral).
Infelizmente, o nosso jornalismo já demonstrou por diversas vezes, um amadorismo gritante e os recentes "ataques" por causa da ausência do Controlo Parental no Magalhães foram baixos.
Parece-me que a garantia de incluir esse tipo de software nos portáteis, será mais do que suficiente, no que ao papel dos Estados e das entidades envolvidas, diz respeito. A gestão do conteúdos consultados pelos miúdos, tal como disse a Ministra da Educação, passará pelos professores, nas salas de aulas e pelos pais, em casa e aqui reside outra questão. Infelizmente os nossos professores mais veteranos (é uma ideia que tenho, posso estar errado) e os pais, não estão preparados para assumir essa função, sobretudo por causa da falta de cultura tecnológica. Portanto, para os senhores jornalistas (às vezes, eles obrigam-me a pensar que eles (jornalistas) não são humanos...não consigo perceber porquê!), faria todo o sentido que o Magalhães, viesse completamente artilhado de sistemas de Controlo Parental que estivessem preparados para conhecer a Web e soubessem automaticamente o que é o Bem e o Mal. Ora bem, os jornalistas estão a exigir que um sistema de Controlo Parental assuma características de avaliação do ambiente Web, que nenhuma aplicação ainda consegue oferecer de forma totalmente eficaz.
Por outro lado, caso os portáteis viessem com todos os sistemas activos e a funcionar, o Governo seria acusado de abuso e de violação de privacidade, etc. Preso por ter e por não ter...enfim...é o nosso jornalismo (amador).
Portanto, só espero que este Magalhães possa ser um sucesso nas nossas escolas (e nas escolas dos países que receberão este tipo de projectos) e possa de alguma forma ter também algum sucesso comercial, através das vendas na Fnac. É Portugal que fica a ganhar!
Links relacionados:
O site oficial do portátil Magalhães: www.eescolinha.gov.pt
Blog (não oficial) sobre o portátil Magalhães: www.portatilmagalhaes.com
Análise ao Magalhães pelo Mr. Conguito: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3
(E gostam do Magalhães a segurar no seu Magalhães?)
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