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E contra todas as expectativas, lá consegui chegar a horas a uma das estreias mais aguardadas dos últimos tempos.

Devo começar este post com um "disclaimer". Eu faço parte do grupo que ainda não leu a obra de Alan Moore, mas que já lá está em casa a uns meses.
Dito isto, vamos lá a uma "mini-review". Digo "mini", porque subscrevo praticamente na totalidade a review feita pelo Filipe Homem Fonseca e pouco mais poderei acrescentar.
Pessoalmente, acho que o filme sofre com a sua maior virtude. Como foi já confirmado por alguns fans, o filme é, de facto, uma excelente adaptação da "graphic novel", seria até muito complicado fazer uma melhor adaptação, mas como já foi afirmado pelo próprio Alan Moore, um filme e uma "graphic novel" são formatos distintos e a história que foi passada para o papel, não resultará da mesma forma.
Sinceramente, sou obrigado a concordar.
Nesta coisa das adaptações, sou adepto da fórmula "Lord of the Rings". Mais do que adaptar, é preciso reinventar e manter o espírito da obra original. No fundo, adaptá-la ao formato filme e neste caso, havia todas as condições para o fazer. Preferiram a colagem à obra original com algumas cedências...e isso foi assumido desde a primeira hora...mas parece-me que ficou a faltar qualquer coisa.
Por isso, temos um filme com um ritmo sofrível na sua primeira metade e desde início, percebemos qual é a direcção que o filme vai tomar, nomeadamente em perceber quem é realmente o assassino do Comediante. Mais tarde percebemos que essa não é realmente a essência da história, a qual não vou revelar, porque acredito que haverá muita gente que ainda não conhecerá a história.
Uma nota para a banda sonora...ou bandas sonoras...se preferirem. Porque temos o "score original" do Tyler Bates, responsável pela banda sonora do "300" e temos as músicas que vão surgindo ao longo do filme, algumas delas, referências do próprio livro.
Se as músicas encaixam de forma brilhante, infelizmente a banda sonora original, ficou muito discreta ao longo do filme, até porque, me pareceu, depois de a ouvir, um dia antes da estreia, que teria tudo para ser uma belíssima banda sonora original...bom, enganei-me.
Fica um elogio também para os pormenores...o filme está recheado de pormenores e detalhes, para apreciar com certeza, um dia mais tarde em glorioso DVD ou, quem sabe, em HD. Por exemplo, já na parte filme, no video hall que surge, reparem bem nas imagens que vão passando, por exemplo, o famoso spot da Apple de 1984 (devo ter sido o único a reparar?).
Quando ao sucesso comercial do filme? Sinceramente, será um filme de culto para aqueles que já eram fans da obra original e poucos fans ganhará depois deste filme e a crítica vai bater muito neste filme.
No meu caso, confesso que fiquei ainda mais curioso para conhecer a obra original, que aguarda na estante por uma atenta leitura. Ontem mesmo, depois de ter visto o filme, passei os últimos pelas primeiras páginas, para fazer as primeiras comparações e até gostei mais do que vi no livro. Seria interessante ter um audiobook, baseado no audio do filme. Bem sei que há a versão "motion", mas um audiobook (com banda sonora) que nos acompanhasse na leitura do livro, seria uma ideia interessante.
Para fechar, uma última nota para o ritual da "ida ao cinema"...meus amigos...não há pachorra...é o intervalo, são as pipocas, é a risota do grupo que só foi ao cinema, porque sim...enfim, a experiência de ir ao cinema tornou-se num sacrifício e um teste à nossa sanidade mental.