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Neste terceiro post, sobre o que os estrangeiros que vivem em Portugal acham do nosso país, vamos conhecer a história do Michael Brown, o que o trouxe para Portugal e qual é a sua visão sobre este cantinho à beira mar plantado.
O Michael Brown tem 43 anos, nasceu em Inglaterra, filho de pai inglês e mãe alemã, passou a infância no estrangeiro em países tão diferentes como a Nigéria, Turquia, Irão ou França. Regressou a Inglaterra para ingressar no liceu, num colégio interno.
Também se assume como geek, mas como o destino tem daquelas coisas, acabou por entrar em Farmacologia na Bristol University. Não terminou o curso e aos 20 anos começou a trabalhar como programador na área da banca. 23 anos depois, ainda é a área onde continua a trabalhar.
Em 2009, começou a desenvolver aplicações para iOS nos tempos livres (onde se destaca a aplicação Farmácias de Serviço, para iPhone e iPad) e espera conseguir ganhar a vida a fazer exclusivamente o desenvolvido de aplicações.
Em 2000, mudou-se de Londres para Portugal, sendo que, em 2010 tornou-se finalmente cidadão de nacionalidade Portuguesa. É casado com uma portuguesa e tem um filho com 3 anos.
Adora viver em Portugal e vamos conhecer a sua história pelas suas palavras:
"Há 12 anos troquei Londres para Lisboa e nunca me arrependi. Fiquei a ganhar um terço do que estava a ganhar em Londres, mas o custo de vida em Lisboa também é mais ou menos um terço do custo de vida em Londres, pelo menos no que diz respeito às coisas essências como casa, comida, roupa, e transportes. Por isso não senti muito a redução de ordenado.
Mas o que mais notei foi o aumento da minha qualidade de vida, que mais do que compensou o emagrecimento financeiro. Pode parecer uma coisa superficial, mas o clima faz uma grande diferença na qualidade de vida, e o clima em Lisboa é fantástico. Mesmo no inverno é raro ter um dia verdadeiramente frio e o sol vê-se muito. Ver o sol de manhã quando acordo é o suficiente para me sentir logo mais feliz. E fora do inverno é melhor ainda. Este ano tivemos um Fevereiro incrível com muitos dias passados na praia, e agora em Maio uma semana que faria inveja a qualquer verão Londrino. O verdadeiro verão quente então é o paraíso para mim. Talvez seja porque passei a minha infância em países quentes (Nigeria, Turquia e Irão) mas eu gosto muito de sol e calor, e ao contrário dos "bifes" do costume, bronzeio facilmente, que também faz bem a minha vaidade. :-)
Muitas vezes não se valoriza as coisas boas que se tem porque não se sabe o que é viver sem elas, e acho que os Portugueses tem este problema em relação a muitas coisas, não se ficando apenas o bom tempo. Portugal tem uma das costas mais bonitas do mundo, com praias lindíssimas que, tirando o pior do Algarve, não tem sofrido com o desenvolvimento turístico descontrolado. Ainda há muitas praias desertas onde é possível passar um dia na companhia de apenas mais meia dúzia de pessoas. Mesmo as praias mais concorridas ficam quase vazias fora do mês de Agosto. E ainda só falei da costa! O interior de Portugal não fica atrás. O Alentejo é, sem dúvida, a minha zona favorita de Portugal e tem das paisagens mais bonitas que conheço, para não falar do vinho e da comida que adoro!
Em Lisboa, eu posso pegar no carro e estar numa praia a apanhar sol ou fazer surf dentro de meia hora. Há esplanadas com vistas incríveis e cerveja barata em todo o lado. Há bons restaurantes sem necessidade de marcação nem filas de espera. Há discotecas onde não é preciso ser famoso ou um modelo para conseguir entrar. Isso para mim é qualidade de vida, e há poucas cidades no mundo que tem isso tudo.
Portugal é um país com imenso potencial, tem tudo para ser um sucesso na Europa e no mundo. Acredito mesmo nisso, e custa-me que muitos Portugueses tem uma atitude tão negativa e pessimista em relação a tudo. O famoso desenrascanço dos Portugueses é uma coisa fantástica. Faz as pessoas pensar "fora da caixa", ser criativas e desenvolver soluções inovadoras, e neste mundo da globalização essas são qualidades muito úteis. O outro lado da moeda é que criam uma tendência para a desorganização e não ter a persistência de concretizar as ideias. Mas, ao contrário da criatividade do desenrascanço, a organização e o rigor são coisas que se podem apreender. É só isso que falta.
Por último, não podia deixar de dizer que os Portugueses são pessoas muito, muito simpáticas, e que nunca me senti mal por ser um estrangeiro. Ah, e as Portuguesas? São lindas de morrer e boas como o milho. As Inglesas não lhes chegam aos calcanhares, nem por sombras. Qualidade de vida também é ver pessoas bonitas em todo lado!"
Para conhecerem melhor o Michael Brown ou se quiserem entrar em contacto com ele, podem passar pelo seu blog (luacheia.com), pelo Linkedin ou melhor ainda, adicioná-lo ao Twitter (twitter.com/mluisbrown).