Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Viva a Democracia...

Cegos, Surdos e Mudos

Foi bonito de ver um conjunto de pessoas, que eu chamaria de minoria, uma vez que não passam de 250, a votar favoravelmente um acordo ortográfico que foi contestado em baixo assinado por mais de 35.000 pessoas.

 

E depois ficam muito chocados quando se fala no desinteresse das pessoas pela política...porque a votação de hoje, mostra que há um profundo desprezo dos deputados pela mesmo população que os elegeu...

 

Lamento que a população portuguesa não esteja a mostrar a união que mostrou nos anos 70, para derrubar o Estado Novo, através do movimento de Abril.

 

Provavelmente podemos estar a entrar no novo tempo em que teremos que unir esforços para combater a cegueira da máquina estatal e política.

 

No que diz respeito ao Acordo...divirtam-se no Parlamento a jogar às Palavras Cruzadas nas sessões plenárias com as "novas palavras", porque da minha parte nada mudará...


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publicado por Phil às 22:22
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7 comentários:
De Miguel Borges a 17 de Maio de 2008 às 10:27
Compreendo as reticências que coloca o autor deste artigo, juntamente com as 35 mil pessoas que assinaram essa petição. No entanto, gostaria de dizer que os 250 deputados que aprovaram o acordo foram mandatados por cerca de 10 milhões de portugueses.

O acordo poderá não ser perfeito e poderá ter as suas vantagens e desvantagens. Mas o que não se pode dizer é que não tenha sido alvo de uma profunda reflexão, que não só reuniu alguns dos melhores especialistas da lusofonia, como também demorou vários anos a preparar. E, se o ilustríssimo senhor António Manuel Couto Viana coloca as reservas ultra-conservadoras (que seriam já esperadas, dadas as circunstâncias) do sector livreiro, não menos respeito me merecem vultos intelectuais como o de Carlos Reis, entre outros.

A questão do acordo não pode ser uma matéria em que Portugal olhe apenas para o seu lindo umbigo. É necessário dar passos concretos no sentido da progressiva consolidação da nossa língua no âmbito internacional. E isso não se faz adiando este tipo de medidas por décadas e décadas. De outro modo, ainda hoje escreveríamos muitas palavras com dois LL ou dois NN, o que apenas serviria para fragmentar a Língua ainda mais.

O Português pode e deve ser uma língua de futuro. Mas para isso, não pode continuar a dividir-se em três ou quatro línguas como tem acontecido até agora. Essa divisão não acabará certamente com o advento deste acordo. Mas pelo menos tornar-se-á uma divisão um pouco mais ténue.

O que é necessário agora é efectuar um trabalho comum, sobretudo com o Brasil, no sentido de estabelecer e difundir um vocabulário comum em algumas áreas fundamentais, como a da Informática, de modo a minimizar também a deriva linguística na área lexical.

Cumprimentos,
Miguel Borges


De dextro a 17 de Maio de 2008 às 12:02
Senti exactamente o mesmo: que raio de democracia é esta onde a voz de mais de 30000 pessoas é desprezada num acordo que afecta tão profundamente a vida de toda uma nação? Sinceramente eu não entendo...


De Mário a 17 de Maio de 2008 às 14:51
Mas, desde quando é que mudar a ortografia de meia dúzia de palavras vai afectar profundamente a vida de toda uma nação?

Isso é uma daquelas visões apocalípticas...


De dextro a 18 de Maio de 2008 às 00:47
Não sei o que fazes mas eu tenho de escrever diariamente e por consequência é bom que eu escreva em português "correcto"... Tenho a ligeira sensação que a grande maioria dos portugueses também precisa de escrever diariamente...

São as pequenas coisas que mais afectam a vida das pessoas...


De Phil a 18 de Maio de 2008 às 00:50
É também, por isso mesmo que sou contra o acordo...profissionalmente, terei com certeza de seguir as "novas regras"...mas aqui no blog, se possível vou continuar com o "meu Português".


De Mário a 18 de Maio de 2008 às 00:59
Mas para isso é que vamos ter 6 anos de transição, ao contrário dos 3 anos do anterior acordo ortográfico. Em 6 anos, de tanto leres as coisas escritas na nova forma, vais chegar a um ponto em que já nem te lembras como era a antiga.


De Hugo a 17 de Maio de 2008 às 15:25
"Apesar de polêmico, o texto foi aprovado por deputados de todos os quadrantes políticos – desde o CDS à direita, até o Bloco de Esquerda – com três votos contra e muitos deputados abandonando o plenário durante a votação.
...
teve mais de 35 mil assinaturas desde o início do mês, grande parte delas de intelectuais.
...
Ironicamente, dois deputados que encabeçaram a petição – Zita Seabra e Vasco Graça Moura – não estavam no plenário na hora da votação.

Zita Seabra disse que, como é proprietária de uma editora, havia conflito de interesses para votar o texto.

...
..."


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