Numa primeira fase, pensei a quente entrar a matar em relação ao que assistimos no serão de ontem no Jornal da Noite da SIC na rúbrica "Aqui e Agora". Ponderei e achei mais sensato ficar-me pela replicação do buzz que foi gerado em torno do programa assim que este terminou e/ou foi disponibilizado no site da SIC. Há quem diga que o travesseiro é o melhor conselheiro e aqui estou, várias horas depois a fazer uma reflexão sobre o que foi transmitido na SIC, uma reflexão muito light, afinal já muito foi dito nas últimas horas na blogosfera.
- Programas de Debate, comentadores e Internet
Infelizmente em Portugal a Internet, que eu vou apelidar de "Positiva" (pessoalmente há uma única Internet, mas já lá vamos), para o comum português é Internet é:
- O e-mail;
- Pesquisa;
- Os sites de Jornais;
- Homebanking;
- Entrega do IRS.
Isto é, para os pseudo-comentadores, tudo o que sai do universo que acabei de definir, é potencialmente perigoso e faz de nós utilizadores, segundo as palavras de Moita Flores, que andamos em "mundos de devassa, de violação, de violentação...A democracia desnuda-se à sua destruição".
Pessoalmente, os critérios das entidades que assumem a produção destes conteúdos, terão que ter mais cautela quando convidam pessoas, cuja capacidade intelectual para comentar determinados temas é duvidosa. Eu aceito ver os comentadores em causa falar sobre o caso Maddie. Isso já não é verdade na temática abordada no programa de ontem. Infelizmente, há em Portugal um conjunto de iluminados que acham que têm capacidade para comentar todo e qualquer tema e no programa de ontem verificámos em directo que tudo pode correr mal.
Foi muito claro que qualquer um dos comentadores, bem como o moderador, o jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho estavam a pisar terrenos que não conhecem e como também tivemos oportunidade de ver em directo, não têm problemas em assumir esse desconhecimento. Grave é continuar o comentário num tom difamatório e arrogante lá bem no alto da sua ignorância, como aconteceu com Moita Flores. O retórico Rogério Alves também como eu nunca tinha visto e o psiquiatra José Gameiro, apesar de ser o mais sensato, também não estava propriamente há vontade. Por isso, quem tem a responsabilidade de coordenar o programa, devia garantir que os comentadores estão aptos para comentar sobre o tema em discussão, uma vez que os temas vão variando todas as semanas e o painel de comentadores é fixo. Portanto, teria sido preferível não avançar com este tema e não passar por esta...vamos chamar de "situação".
- Internet - Reflexo da Sociedade
Por fim, a questão dos comportamentos dos utilizadores de Internet. Aqui, a questão é muito simples. A Internet é tão somente o reflexo da nossa sociedade e poderá estar a servir de saco de pancada, de bode expiatório dos problemas e dos defeitos das pessoas. Foi dito na reportagem que era grave existirem fotos de miúdas de 12/13 anos na net. Não estaremos perante um grave problema de educação (ou falta dela)? Se calhar a falta de "cultura informática" nas gerações mais velhas poderá ajudar a agravar a situação. Se o filho estiver a dizer que está a jogar e na realidade está a cometer actos ilícitos, será responsabilidade dos pais prevenir que isso não deverá acontecer. Mais uma vez, a culpada não poderá ser a Internet. Ela existe e teremos que saber lidar com ela...mas infelizmente o português evita o problema, passa ao lado deste e ignorando o fenómeno, prefere apontar o dedo e condenar uma entidade perfeitamente abstracta que os assusta como se fosse um bicho papão.
Como se viu ontem, os 3 comentadores estão claramente neste grupo e a eles, podemos juntar o jornalista que moderou o debate e claro, Miguel Sousa Taveres.
Para terminar, gostaria de dizer que lamento profundamente aquilo que aconteceu ontem na SIC e durante muito tempo, terão perdido um espectador, que já era raro, porque o número de horas em que vejo TV, foi reduzido a números muito baixos, nos últimos tempos e programas como aquele que vimos ontem, só ajudam a reduzir ainda mais o tempo (perdido) a ver TV.
Infelizmente, só consegui publicar esta opinião, muito modesta, porque não a consegui concluir tranquilamente durante o dia (incrível como não consigo ter 30 mins em absoluto sossego). O português não está extraordinário e ainda tenho um nó de revolta no estômago.
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